domingo, 1 de março de 2009

O Quarto

Belíssima parte da cidade, aquela. Alta, deixando aos seus pés todo o mais. Altos eram os prédios, por entre árvores frondosas, sobre o chão cinzendo que se pronunciava morro acima.
Eram dois prédios frente e frente. Entre eles, apenas as árvores, seus troncos, seus galhos. Alguns poucos metros de cimento, por onde subiam ou desciam veículos ocasionais. Os finais de tarde eram perfeitos. Uma deliciosa brisa se jogava das folhas para dentro das janelas entreabertas.
No quarto andar, a janela que fazia frente ao prédio vizinho, convidava a indiscretos olhares para a sala de jantar. Simples, porém composta pelo bom gosto e pela personalidade da proprietária. Uma única parede colorida, cor de carne, ladeada pelas neutras paredes brancas. Parecia mandar algum recado, como se dizesse "ousadia com moderação". Seria possível? Seria esta a maneira dela de viver?
A mesa, em madeira escura e maciça, de cantos arredondados e cercada por algumas cadeiras da mesma sobriedade, sem acompanhamento de qualquer peça adocicasse sua presença, exceto pela toalha de centro, de cor neutra e tecido comum. O lustre baixo, de design moderno, a parede lateral, enfeitada pelo quadro abstrado de cores vivas. Apenas as cortinas semi-abertas, em renda branca, denunciavam a feminilidade do cômodo.
O apartamento oposto, no quarto andar do prédio em frente, estava fechado há algum tempo. O casal proprietário se mudara para uma casa e parecia estar tendo alguma dificuldade em alugar. Sequer haviam esvaziado totalmente o imóvel, pois nas janelas, ainda se viam as persianas fechadas.
A moradora do apartamento de parede cor de carne vivia só, e desfrutava cada minuto de sua liberdade em casa. Estava solteira, mas não, sozinha. Ocasionalmente, era vista subindo ao apartamento com alguma companhia masculina que só saía no amanhecer do dia seguinte. Raramente as companhias se repetiam. Ela não queria encorajar um envolvimento que não aconteceria. Frequentemente, seus companheiros eram colegas da empresa na qual trabalhava, uma metalúrgica próspera do interior.
Aparentava pouca idade para os seus 32 anos. Era magra, mas seu corpo tinha mais carne do que ossos, especialmente no quadril e nas coxas. Ela sabia que as cabeças se viravam para acompanhar seu rebolado quando passava, e adorava.
Desde que concluíra sua graduação em psicologia, atuava em setores de recursos humanos e isto lhe dava a oportunidade de conhecer todos os funcionários das empresas por onde passara.
Durante o expediente, sua postura era absolutamente profissional, mas ela tinha um sex appeal natural, o que fazia com que suas conversas com os colegas durante o horário de almoço, rendessem promissores convites para depois do trabalho. Se a voz do colega a deixasse excitada, este era sinal de que precisava para chamá-lo à sua casa. Tudo muito discretamente.
No prédio em frente, o proprietário do quarto andar já se impacientava. Sentado no chão da sala escura, olhava seguidamente para o relógio, pois já passara do horário dela chegar do trabalho. Alguma coisa lhe dizia que hoje ela traria alguém. Algumas vezes era difícil distrair a atenção de sua esposa para que pudesse sair tão perto da hora do jantar e voltar à antiga moradia, assim como não vinha sendo simples como ele imaginava que seria, dar a ela desculpas convincentes para que o imóvel ainda não tivesse sido ocupado, ja´que era de conhecimento geral a grande procura por aquele endereço. Para ele, a oportunidade de ter o imóvel vazio era inestimável. Faria tudo quanto pudesse para não abrir mão dos deliciosos orgasmos que a vizinha da frente lhe proporcionava ao fazer sexo diante da janela aberta, aos quais ele acompanhava com o pau sempre duro, e em êxtase, por detrás das persianas quase fechadas.
Tomava o cuidado de manter a luz apagada, e se aproveitava da luz da sala dela para acompanhar a maioria dos detalhes, já que ela pedia sexo na mesa da sala de jantar, antes de levar os parceiros a outros cômodos do apartamento. E como ele gostava! ... Era um show molhado e quente que faria o mais do que possível para não perder. A vizinha de frente, a vizinha de trás, a vizinha em saltos altos ou com a saia do uniforme de trabalho levantada até a altura da cintura, a vizinha agachada em cima da boca de seus eleitos que se deitavam de costas sobre a mesa, seios deliciosamente chupados ou cobertos pela blusa que ela, às vezes, deixava, e gemidos, muitos. Eram quase uivos que aquela loba indescente espalhava pelas noites e manhãs. As companhias saíam de seu apartamento num misto de desejo insatisfeito pela vontade de fazer mais e realização completa.
O voyeur sentia seu pau deliciado, como se fosse ele a haver estado dentro daquela boceta úmida e enlouquecida. Quase sempre chegava em casa doido para sentir-se mais perto das cenas que assistira. Mal dava tempo à sua mulher para respirar. Rasgava suas calcinhas ou lhe fazia ajoelhar no tapete da sala para a chupada que lhe permitiria fechar os olhos e reviver mais uma vez, as incomparáveis fodas da loba do quarto andar em dias de cio. Sempre com a janela aberta.

2 comentários:

L disse...

Toda exibicionista precisa de um voyeur. Todo voyeur precisa de uma exibicionista. É o êxtase quando se encontram.

Se exibir é uma arte. Assim como saber olhar.

Adorei!

E... Se quiser mostrar, sem nenhum pudor, saiba que estou sempre pronto a olhar, sem pudor algum. ;-)

AC Rangel disse...

Deliciosa maneira de se dar prazer à própria esposa. Delícia.